provavelmente só lerão quando eu chegar ao Brasil, já que a joça da
Tim não funciona em nenhuma outra parte do mundo.
Enquanto andava pelas ruas do Centro e pensava em como começaria este
texto, imaginei ser totalmente pertinente comparar Buenos Aires a uma
São Paulo plana e com um terço da população: uma cidade grande,
histórica, agitada e sem a qual o resto do país não funcionaria.
Mas, ao mesmo tempo em que tudo isso é a mais pura verdade, minhas
incursões por Palermo e pela Recoleta me deram uma noção nova, de
que BA é incomparável, por ser tão igual a tanta coisa e tão
diferente de tudo ao mesmo tempo.
A cidade definitivamente sempre está funcionando, e onde você esteja,
dia ou noite, sempre estará a uma quadra de um ótimo restaurante ou
de um café charmoso.
Um deles é o Mott, em Palermo, que tem uma cozinha porteña
contemporânea de primeira, além de um ótimo ambiente para dois. Eu
fui a quatro, e não necessariamente acompanhado de pessoas com os
mesmos interesses, o que me obriga a voltar logo.
Voltar lá ou voltar a qualquer um dos milhares de lugares supercool
espalhados pela Recoleta, que de longe se parece com aquela de oito
anos atrás.
Quando vim pela última vez, no auge da crise argentina, as diversões
estavam entre as últimas prioridades daquele povo que subitamente se
viu vendendo as jóias de família para comprar comida. As coisas eram
baratas e caseiras, e os bares tinham o calor da simplicidade de uma
quinta-feira na Rua da Lama.
As coisas agora estão diferentes: como no resto do mundo (e não só
em Brasília, como eu pensava), as riquezas parecem criar uma bolha de
luxo para a classe média, o que faz aquela Cristal de R$1,00 dar lugar
no cardápio às cervejas importadas a 10 Pesos.
Agora os argentinos têm iphones e tvs de plasma nas boates, ainda que
as máquinas de cartão de crédito sem fio, que vão até a mesa,
sejam uma coisa ainda inimaginável.
E, por falar em boates, achei minha ida à Amerika um dos momentos mais
curiosos dos dois dias "acá". Como os argetinos mexem
desnecessariamente os braços quando dançam! Ou talvez seja a cultura
blasé e introspectiva das boates brasileiras que causaram o choque
cultural.
Fiquei pensando que um porteño, se tiver a curiosidade de ir à Lôca,
vai achar tudo de longe mais soturno, insalubre e bizarro do que
realmente é. Em BA, boates tem som mais baixo e luzes menos fracas,
para que se converse, brinque e balance os braços com toda a
liberdade. Pegação, no entanto, não é tão livre assim. Ou talvez
até seja, mas o povo ainda prefere os hábitos mais saudáveis, mais
amigáveis e menos sexies.
Em suma, se tenho que aprender alguma coisa para dar uma dica sobre a
cidade, o que digo é que deixe seu cabelo crescer um pouco, dispa-se
dos preconceitos libertinos e viva Buenos Aires com a alma leve e limpa.
A.

Um comentário:
ai, que lindo... que internacional... sugiro que vc tbm solte os braços. isso é dançar de verdade.
Postar um comentário