coisas: a primeira é a autocorreção do iphone, que é bastante
útil, mas muitas vezes inventa coisas esquisitas; a segunda são meus
próprios erros de texto não relido. Muitas desculpas pelos dois.
Então deixa eu falar sobre o balanço do navio, que era sempre o tema
da minha primeira pergunta a quem faz uma viagem de barco.
Quando embarcamos, com o navio parado no porto do Rio, não existia
balanço nenhum, óbvio. Mas isso me deu falsas esperanças de que não
sentiria absolutamente nada, o que é uma mentira.
Se alguém algum dia disser isso pra você, está mentindo ou passou a
viagem inteira drogado.
Ainda na Guanabara, o navio chacoalhava desesperadamente na chuva e no
vento, mas estávamos todos superexcitados com a vista, e os apitos do
barco, e sublimávamos.
Quando fomos pra mar aberto, então, era cada salto que as pessoas
seguravam nas paredes para não cair.
Essa foi a hora que fomos para o teatro, e se eu aplaudi alguém foi
pela capacidade de se equilibrar e dar rodopios com todo o movimento
do navio.
Eu descobri então o significado real de "marear". Sentia um enjoo, uma
tontura, como se eu fosse desmaiar.
Tomei uma coca e o enjoo passou. Então comecei um trabalho mental para
me convencer que tudo era bonito demais pra dar importância para o
balanço de ondas gigantes.
Bernardo, cabeça fraca, deu PT e sumiu pra sempre pra dentro da cabine.
Depois de umas duas horas andando trôpego pelos corredores, quando já
tinha desvendado todos os ambientes, sentei e cai em mim: eu não vou
agüentar nove dias balançando sem parar! Entrei em desespero e
cheguei à conclusão de que quem estava agindo naturalmente era
totalmente cínico, e só estava fingindo.
Fiquei sentado um tempo e depois achei melhor sair pra um dos decks
externos, pra ver o mar.
As ondas eram imensas, e a escuridão em volta do navio davam uma
impressão assustadora do oceano.
Acho que foi nessa hora, dando graças a Deus por estar dentro do navio
em segurança, com tango tocando e senhoras elegantes, que meu corpo
começou a entender uma coisa: o vai-e-vem do navio é o mesmo balanço
lento do mar, aquele mesmo que gosto tanto quando vou a praia, que
deixo me levar pra cima e pra baixo em Manguinhos, na Barra, na Praia
da Costa e em Setiba.
Não enjoei mais. Dormi como se estivesse num berço e hoje, com sol e
um balanço bem mais suave, estou achando tudo ótimo!
A.

Um comentário:
desculpa dar notícia ruim precocemente, mas vai dar a mesma onda em reverso quando você voltar à terra. prepare-se.
Postar um comentário