sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Maysa

Estou assistindo Maysa no computador.  A série inteira, os nove capítulos, começando agora.

"Esqueça por um instante seus sofrimentos. Não adianta tentar afogar suas mágoas no álcool.  Eu sei que é uma frase feita, um cliché, mas é verdade."  Em uma cena, Maysa decide parar de beber e fumar, e ainda faz um monologo contra o tabagismo.

O que me parece é que as pessoas têm um certo medo de não gostar da série, da atriz, do roteiro.  Talvez porque o autor deixou de ser Jayme Monjardim, de quem falam bem e mal sempre, e virou o filho abandonado da protagonista.

Não falo mais do que sobre a arte, já que o artista sempre foi honesto quando disse sentir insegurança ao falar da própria história publicamente, como sempre fez com outras histórias inventadas.  Foi a primeira vez que escreveu sob um ponto de vista tão próximo e sincero.

Talvez por isso o texto parece tatear a verdade tão em silêncio, tão com cuidado.  Não se desperdiçam cacos ou situações desnecessárias.  Até o som tem um certo respeito pela cantora, e é o silêncio que acompanha o enredo na maioria das cenas até o fim da primeira parte, interrompido pelo barulho horrível do acidente de carro que matou Maysa em em 1977.

Os atores não foram sinceros pra mim.

A fotografia é antiga e trabalhada, e tem a saturação das minhas recordações das décadas de oitenta e setenta (essas aí que nem vi de verdade).  E é a lembrança dessas cores que me faz compreender totalmente a representação que o Jayminho deu para a sua infância: momentos importantes muitas vezes por uma única palavra, um cheiro, uma cor.  Sem conexão entre si, evitando as entrelinhas, e preenchidas pelos silêncios das coisas que não se diz.

Vamos lá.  Ou vejo ou escrevo.

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