
Foto: Kadidja Fernandes
Muito se fala na Maysa Matarazzo, e dos Matarazzo tradicionais de São Paulo, que hoje estão enterrados no Cemitério da Consolação junto com outras famílias italianas industriais paulistanas. Mas o outro lado da história me interessa muito mais: Os Monjardim, o Barão e o Solar Monjardim. Acho que todos sabem dessa minha paixão por casas históricas.
Essa, dos antepassados de Maysa, era onde a cantora ia nas férias, em Vitória. Fica no bairro rural de Jucutuquara.
E haja história nessa casa!
Muito antes de erguerem as primeiras paredes, a terra já era cultivada pelos jesuítas do século XVI, em plena Idade Média da Colônia. Consigo imaginar em detalhes os trabalhos na terra e na catequese dos índios.
No século XVIII, a administração das culturas da fazenda foi feita por Gonçalo Pereira Porto, rico comerciante que cultivava nas terras mais afastadas da cidade, entre o Morro do Capixaba e a Fazenda Piraen, alguns dos produtos que comercializava à população e mais tarde às manufaturas: cana, algodão, mamona, cereais, hortifrutes, gado e sal.
Sua filha, Francisca Sampaio Porto, se casou quase em 1800 com Fernando Pinto Homem de Azevedo e, como dote de casamento, recebeu parte das terras - a Fazenda Jucutuquara.
Novamente, em 1816, um novo dote passou a fazenda à administração dos Monjardim, na união de Ana Francisca Maria da Penha Homem de Azevedo com José Francisco de Andrade e Ameida Monjardim, filho do capitão-mor governador do Espírito Santo, que tem nomes muito revisitados na história do Estado: Inácio João Monjardino.
Entre os descendentes está o tal Barão de Monjardim - Alpheu Adelho Monjardim de Andrade e Almeida, que tinha PHs no nome suficientes para um inspetor de alfândega, caveleiro da Ordem de Cristo, Deputado provincial e Deputado Federal.
Aqui perdi a história, mas sei que, com a morte do barão em 1927, a casa, construída ainda no século XVIII, foi despida da maioria de suas terras e passou a ser chamada somente de Solar Monjardim.
Podem falar a vontade dos Matarazzo. Realmente sobreviveram bem à história, espalhando-se da indústria às colunas sociais e regras de etiqueta da Cláudia Matarazzo, à política do Eduardo Suplicy (e Marta, por que não?) e à contemporaniedade trash-paulistana do Supla.
Mesmo assim, equanto os Matarazzo têm isso tudo, os Monjardim, nos submundos da elite capixaba, foram muito mais Maysa.

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